terça-feira, 11 de março de 2014

Chamamentos divinos?

Começa a ser difícil permanecer não crente. Não porque de repente fui iluminada pelo Senhor e toda a fé que nunca tive na vida desceu sobre mim, mas porque se torna complicado dar uma justificação às 475 pessoas que me abordam durante o dia para eu me converter à religião delas.
Primeiro obstáculo é logo à entrada da estação dos comboios, onde está sempre pelo menos uma velha (ou mais, mas quando são mais sempre se entretêm a falar umas com as outras e não chateiam tanto as pessoas) de panfleto em punho, para transmitir a palavra do Senhor. E uma pessoa diz que não, que não está interessada, e até tenta ser educada, dá os bons dias à senhora e diz obrigada, mas ela fica toda enxofrada na mesma. Enfim, caguei, estou atrasada e tenho que correr para o comboio.
Segundo obstáculo na Alameda da Cidade Universitária. Segundo, e terceiro, e quarto, enfim, é os que eles se lembrarem. Meninas e meninos da Igreja Universal não-sei-da-onde aos magotes. São todos estrangeiros e prantam-se ali aos pares, a abordar pessoas. Como sempre digo logo -"Muito obrigada mas não estou interessada", mas isto para eles não lhes chega. - "Mas não está interessada porquê, não acredita em Deus?", - "Não, não acredito, olhe desculpe eu estou atrasada, importa-se de me deixar passar?", - "Então mas já viu o nosso vídeo, é só uns minutinhos", -" Ouça, mesmo que eu tivesse esses minutos, eu não quero, deixe-me em paz!", e lá ficam eles a murmurar algo que deve ser qualquer coisa do género "estúpida do caraças, hás-de arder no inferno!". E mais à frente sou abordada por outros dois indivíduos que me acenam muito sorridentes e aos quais eu respondo logo -"Já falei com as suas colegas ali atrás. Não obrigada!", -"Então mas porquê, não demora mesmo nada..." Então mas eu agora tenho que justificar porque é que não quero falar com estas pessoas? Não basta dizer que não estou interessada, tenho que dar uma desculpa "válida"? E qual seria a desculpa? No meu caso não posso dizer que já tenho religião. Se digo que não tenho está o caldo entornado, eles assumem logo que sou uma alma perdida e que tenho que ser convertida.
E eu pergunto-me, será que eles conseguem converter alguém desta forma? Será que uma pessoa, com ou sem religião, e seja ela qual for, que vai na sua vidinha, a caminho do seu trabalho ou de casa, e é abordada por alguma pessoa destas, de repente sente um chamamento divino, e depois de ouvir o parlapier todo se vira para eles e diz "realmente nunca tinha visto as coisas desta forma, tem toda a razão, de hoje em diante vou ser Testemunha de Jeová!" e pronto segue feliz com a sua vida, com uma nova religião como se tivesse acabado de comprar um par de calças.
Só dúvidas na minha cabeça...


sábado, 8 de março de 2014

Ainda sobre o Dia da Mulher

Para os mais distraídos, leiam isto, e tenham uma ideia do que, ainda hoje, se passa por cá.


Porque hoje é Dia Internacional da Mulher

Costumava achar que este dia era uma estupidez. Que só aumentava a desigualdade entre homens e mulheres, por elas terem um "dia" e eles não, que se queríamos igualdade devíamos ser iguais e pronto. Que era um dia em que nos davam flores e se gritava "girl power", como se nascer com um pipi ou com uma pila fosse alguma coisa de extraordinário e conferisse a quem quer que fosse mais direitos por si só.
Mas infelizmente, tenho vindo a aperceber-me cada vez mais que a igualdade entre sexos ainda está longe de ser uma realidade. Mesmo que nos dias de hoje, em Portugal, a maioria das mulheres já tenha, em teoria, os mesmos direitos e deveres que os homens, em muitas partes do Mundo não é assim. Ainda há sítios em que as mulheres vêem os seus órgãos genitais mutilados, onde são escravas dos maridos, onde têm que estar cobertas da cabeça aos pés, onde não têm direito a trabalhar nem a ser independentes, em que não podem conduzir nem ir à escola, onde não têm direito a votar, em que as podem matar à pedrada por serem adulteras ou por ter sexo fora do casamento, onde são violadas e a culpa é delas que estavam com os tornozelos à mostra, onde sofrem de violência doméstica e nada é feito para parar essa tortura, e mais uma série de coisas desumanas que nunca nenhum ser humano deveria sequer pensar em fazer a outro. E por isso não, este dia não é para o mulherio ir a clubes de strip masculino gritar que nem umas histéricas enquanto se embebedam, nem para receber presentinhos e ouvir "feliz Dia da Mulher!". Este dia é importante, porque ainda há muito caminho a fazer rumo à igualdade, e enquanto nem todas as mulheres deste Mundo forem tratadas com o respeito que merecem enquanto seres humanos, este dia deve existir, para que a nossa luta seja relembrada e as nossas conquistas celebradas.
E antes que alguém se lembre, ser feminista não é ser machista mas ao contrário, não é querer que as mulheres tenham mais regalias que os homens. Ser feminista é ser a favor da igualdade de direitos e deveres entre seres humanos, que é o que todos somos, homens e mulheres.










sexta-feira, 7 de março de 2014

Factos da vida

Desconfio sempre  daqueles produtos que têm imensa publicidade e que só falta dizer que são milagrosos. Quando o produto é realmente bom, não precisa de tanto alarido, a qualidade fala por si.
É como aquelas pessoas que passam a vida a gabar-se. Quando se é excepcional, não é preciso passar a vida a dizê-lo. E se precisam de o fazer, algo não está a bater certo.