domingo, 19 de janeiro de 2014

"As opiniões são como os traseiros, cada um tem o seu" e eu não estou interessada, obrigada.

Não consigo perceber esta constante necessidade de aprovação pelos outros. Devo desde já avisar que talvez não seja assim tão diferente da maioria, e que talvez me inclua na crítica que pretendo fazer neste post, mas adiante, depois explico.
Parece que só somos bons se os outros nos disserem que somos bons. Se formos bons e ninguém disser então não somos. Pior ainda é quando o caso se reverte, e as pessoas se acham no direito de opinar sobre os outros, e de lhes dizerem na cara a sua opinião. Comentários sobre a gordura alheia e sobre o que deviam fazer em relação a ela é o que mais ouço, e eu não consigo mesmo perceber qual é o sentido disto. Pela minha experiência, nunca conheci ninguém que gostasse que lhe dissessem "estás mesmo gordo" assim como "estás com péssimo ar" ou "és mesmo feio", mas as pessoas dizem isto, e o único propósito que eu vejo nestes comentários é deitar o outro abaixo, porque vamos lá ver, acho que hoje em dia, é muito raro uma pessoa que não tenha um espelho em casa, logo, antes mesmo de seja quem for tecer um comentário sobre o aspecto físico de outra pessoa, provavelmente o próprio já se deu conta disso. Eu não sei, se calhar não sou normal, mas quando vejo alguém gordo ou feio não sinto um impulso incontrolável de lhe dizer isso. Se com família e amigos próximos já me é difícil, e só o digo se achar que isso está a afectar a saúde da pessoa (no caso da gordura), com pessoas com quem não tenho confiança não digo absolutamente nada, que felizmente sou uma pessoa dotada de bom senso.
E é engraçado que é mais fácil ouvir uma crítica do que um elogio (a não ser no Facebook, aí toda a gente é muito linda e maravilhosa). Juro que não percebo esta necessidade de tecer comentários acerca de outra pessoa, como se ela precisasse da nossa aprovação ou desaprovação. Deixem-se em paz uns aos outros porra, cada um é como é, não têm que passar a vida a lamber botas nem a mandar pedras, dediquem-se a coisas mais úteis que a vida não é só isto.


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A única vantagem de ser pobre

É poder andar na rua sem medo de ser assaltada. Se por acaso algum bandido me vier assaltar na rua, pergunto-lhe se tem mesmo a certeza que quer fazer aquilo. É que parecendo que não é uma perda de tempo, podia estar a assaltar alguém com alguma coisa de jeito para roubar.. Aposto que o telemóvel dele é melhor que o meu tijolo, e que anda com mais dinheiro na carteira do que eu.
Mas pronto, é a única vantagem.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Será justo?

Ontem morreu o Eusébio e hoje milhares de portugueses foram prestar a última homenagem ao "rei". As cerimónias fúnebres tiveram honras de estado, e foi decretado luto nacional durante três dias. Não tenho nada contra o senhor, dizem que foi um grande jogador e eu acredito, embora não perceba patavina de futebol, nem seja assunto que me interesse. Foi uma personagem histórica, levou Portugal às bocas do Mundo. Provavelmente se não fosse ele, para muitos por esse mundo fora Portugal era uma província espanhola, e por causa dele hoje sabem que somos um país e que tivemos um dos melhores jogadores do Mundo. De facto foi uma perda triste, mas eu pergunto-me se será isto justo?
O mês passado morreu Albino Aroso, o "pai" do planeamento familiar em Portugal, e um dos principais responsáveis pela inversão da taxa de mortalidade infantil neste país. Um homem que lutou sempre pelos direitos das mulheres, em particular o direito à contracepção e à interrupção voluntária da gravidez, mesmo contra a igreja e colegas de profissão. Talvez se não fosse por ele, muitos de nós não estaríamos cá hoje. Talvez usar preservativo e tomar a pílula não fosse uma opção e ou andava tudo a ter filhos indesejados e a contrair doenças sexualmente transmissíveis, ou éramos uma cambada de abstinentes. Só hoje soube da sua morte, e para dizer a verdade, só hoje soube quem ele realmente era e o trabalho extraordinário que fez. E eu pergunto-me, será isto justo?
Será justo que um homem que salvou a vida talvez a milhões de Portugueses morra sem que o país dê por isso, enquanto outro que deu a conhecer Portugal ao estrangeiro através do seu trabalho faça parar o mesmo? Será mais importante a notoriedade de Portugal, ou a qualidade de vida do seu povo?
Estas questões partem-me literalmente a cabeça, porque sinceramente acho que as pessoas não dão o devido valor a quem devem dar e muitas vezes, só dão notoriedade a quem não merece. E é por estas e por outras que se percebe que de facto a vida é tudo menos justa e a resposta ao título deste post era não, mas isso já eu o sabia há muito.